terça-feira, 3 de outubro de 2017

Você conhece as melhores metas para sua equipe de loja?

Se a resposta é não, confira nesta reportagem alguns indicadores importantes para quem trabalha diretamente nas filiais


Definir metas é mais difícil do parece. Essa tarefa é ainda mais árdua quando se trata dos profissionais que trabalham na loja, uma vez que o número de cargos é muito grande. O ideal, segundo supermercadistas e consultores, é que esses objetivos estejam amarrados com a meta final da rede. 

Confira a seguir os principais indicadores para o pessoal de loja. Muitos são parecidos, mas a forma de atingi-los depende de atitudes diferentes nas tarefas cotidianas. Analise se essas metas têm a ver com seus objetivos e a realidade da sua empresa. 

Empacotador
• Redução de custos distribuindo menos sacolinhas
• Queda de perdas ao acomodar corretamente os produtos nas sacolas ou caixas de entrega
• Diminuição de reclamações em função de empacotamento correto para entrega em casa

Açougueiro (pode ser adaptado para padeiros, confeitos, peixeiros etc)
• Redução de perdas ao padronizar o fatiamento
• Menor ruptura utilizando códigos corretos das carnes (é comum identificar, por exemplo, filé mignon como coxão duro)

Repositor FLV
• Índice menor de perdas a partir de regras de manipulação, transporte e exposição
• Redução de ruptura, fruto de queda nas quebras e sondagens nas gôndolas para ver o que falta
• Melhoria nos processos, por exemplo, preços visíveis

Operador de caixa
• Redução do estoque virtual (ou ruptura) passando item por item nos leitores de código de barras
• Melhoria de processo digitando o código correto dos hortifrútis
• Maior produtividade atendendo mais clientes

Repositor/Estoquista
• Índices menores de mercadorias vencidas
• Queda de ruptura com abastecimento mais ágil
• Redução das perdas devido à melhor checagem das condições de entrega do produto
• Melhorar processo recusando produtos danificados

Fonte: http://www.sm.com.br

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Só repressão não combate trabalho forçado na moda, aponta 'Diálogos'


Trabalhadores bolivianos durante fiscalização de denúncia de trabalho escravo em oficina de tecelagem de Americana (SP)

"Quando cheguei ao Brasil, trabalhei numa oficina de costura e ganhava R$ 5 por cada vestido que fazia. Fiquei quatro meses sem salário. Agora que tenho minha própria oficina, ganho R$ 12 por peça. Elas são vendidas nas lojas por R$ 300", conta a boliviana Lídia Romero, vítima de trabalho forçado. 
Essa realidade, que é a de muitos outros imigrantes e brasileiros, foi debatida no último evento da série "Diálogos Transformadores" este ano, que nesta quinta-feira (28) teve como tema o "Trabalho e Imigração na Indústria da Moda". O encontro, mediado por Eliane Trindade, editora do Prêmio Empreendedor Social, foi realizado pela Folha de S.Paulo, em parceria com a Ashoka e o Instituto C&A. 

Os oito especialistas presentes cobraram mais responsabilização das empresas acusadas, fiscalização de toda a cadeia de produção, divulgação da chamada "lista suja" e mecanismos para evitar a concorrência desleal. Para Leonardo Sakamoto, um dos debatedores, a exploração da mão de obra é consequência de um tripé. "A pobreza e a impunidade são a mãe do trabalho escravo. A terceirização é o pai", afirmou o fundador da ONG Repórter Brasil, que investiga e divulga num aplicativo casos de violação de direitos. 
Ele criticou a lei da terceirização, aprovada no Congresso, por diminuir a força de sindicatos ao mesmo tempo que exige maior negociação dos funcionários com as empresas. "Não dá para dissociar o trabalho escravo desse modelo de produção, que tenta tirar direitos a todo custo." Também protagonista do encontro, Edmundo Lima, diretor-executivo da ABVTex (Associação Brasileira do Varejo Têxtil), que representa as principais redes do varejo nacional, apontou como desafios a concorrência desleal e informalidade, que caracteriza o setor têxtil. "São 30 mil empresas produzindo vestuário no Brasil para abastecimento local, e 90% delas são micro e pequena empresa. A ABVTex representa 24% do mercado, os outros 76% estão trabalhando sem conformidade e fiscalização", disse Lima. 
"Os varejistas já investiram R$ 18 milhões, mas monitorar essa cadeia é um esforço monumental." A associação, segundo ele, vem promovendo, desde 2010, a certificação de oficinas que fornecem para as grandes marcas. "Os primeiros casos de exploração mobilizaram as empresas para controlar suas cadeias produtivas. 

Hoje, todas têm buscado o compliance." Dariele Santos, cofundadora do Instituto Alinha, atua justamente com esses 76%, buscando regularizar as oficinas de costura de fundo de quintal para poder conectá-las com marcas interessadas em pagar um preço mais justo. Ela relatou o caso de uma costureira boliviana que ganhava R$ 2,50 por peça costurada, trabalhando 15 horas por dia, em situação análoga à escravidão. 

A exploração ficava ainda mais patente, quando a Alinha conseguiu rastrear produtos desde a fabricação até a loja. "Um casaco em que costureiro ganhou R$ 18 para produzir era vendido por R$ 1.600", relatou. "Se o dinheiro das grandes empresas não chegarem à base, é difícil ter uma mudança estrutural." Para ela, outro ator importante da equação é o consumidor, que precisa provocar as empresas a terem maior responsabilidade. REPRESSÃO 


Durante o debate, os participantes chegaram a três ações necessárias para combater a escravidão moderna: prevenir por meio de conscientização, reprimir com maior rigor e empoderar as vítimas. Na plateia, o deputado estadual Carlos Bezerra Jr. (PSDB-SP) defende mais punição. Ele é autor da nova lei estadual contra trabalho escravo, em vigor desde 2013 e considerada pela ONU (Organização das Nações Unidas) como referência. "É um crime extremamente lucrativo. Quem explora trabalho escravo tem 200% a mais de lucro do que quem não explora. A lei vai no cerne do problema porque fecha o negócio e cessa o lucro", disse o parlamentar. 


A tramitação mais rápida, segundo ele, é outro elemento inibidor desse tipo dessa prática –antes demorava cerca de 20 anos, agora são em torno de três. "O espírito da lei não é caçar negócios, mas sim estabelecer regras claras, que façam valer direitos trabalhistas garantindo os direitos humanos. E está se criando um ciclo virtuoso. Estimativas mostram que 25% das empresas do setor têxtil passaram a se adequar." Em outubro de 2016, a empresa dona das marcas M.Officer e Carlos Miele foi a primeira condenada pela lei de Bezerra. 


A decisão, em primeira instância, obriga o negócio a desembolsar R$ 6 milhões por ter peças confeccionadas por trabalhadores em condição análoga à escravidão. Ainda cabe recurso. Para a procuradora Cristiane Lopes, coordenadora do grupo de trabalho sobre migrantes e refugiados do Ministério Público do Trabalho, porém, não basta apenas penalizar quem age errado. "O problema é complexo. 
Vivemos num sistema econômico que estimula ações desse tipo para ter competitividade, ainda mais num cenário de crise e num momento que os direitos trabalhistas estão sendo 'blangladeshrizados'", diz ela, em referência ao país que é muito criticado pelas fracas leis de proteção ao trabalhador e pela exploração de mão de obra barata em fábricas têxteis. Lopes critica a falta de recursos para fiscalização dos casos denunciados. 

"A ausência da fiscalização está se consolidando, com seus sistemas sendo paulatinamente desmantelados. Falta gasolina [para os carros dos fiscais]. Esse dinheiro está indo para outro lugar." 

O alemão Peter Poschen, diretor do escritório brasileiro da OIT (Organização Internacional do Trabalho), acha que fiscalização e sanção são pressões fundamentais, mas insuficientes para lidar com as causas. "Temos casos de trabalhadores forçados liberados cinco vezes. 


A pergunta que fazemos é "O que os leva a isso?" Parte da equipe de coordenação da Missão Paz, entidade filantrópica em favor dos migrantes e refugiados, o padre Paolo Parise relembrou outro caso. "Atendemos bolivianos com sequelas graves do trabalho forçado. 

Uma delas costurava em cima de um botijão de gás. E o trabalho escravo se repete em outras áreas, no mercado da carne e do agronegócio, por exemplo." Esse fenômeno ainda tem um fator de gênero, afirmou a peruana Soledad Requena, coordenadora do Cami (Centro de Apoio e Pastoral do Migrante). "A imigração é feminina. 80% dessas trabalhadoras exploradas são mulheres. 

E justo ela que está na ponta da cadeia, é a maior consumidora de moda." CAMINHOS Os especialistas e empreendedores sociais concordam com a importância da "lista suja", que voltou a ser divulgada pelo governo federal em março, após dois anos de pressão de organizações e da sociedade civil. Nela, estão os nomes das empresas que não têm boas práticas. "Quando a Zara foi flagrada com trabalho escravo no Brasil, a informação correu o [oceano] Atlântico e as ações da empresa caíram na bolsa da Espanha. 

O próprio mercado age. Ninguém quer estar ligado a marcas que usam trabalho análogo à escravidão", disse Sakamoto. O diretor da ABVTex afirmou que não se pode estigmatizar a indústria têxtil. "É um setor importante para a geração de renda e emprego. Tem que punir todos os envolvidos com práticas de precarização do trabalho, mas em toda a cadeia, não só as grandes marcas." Giuliana Ortega, diretora-executiva do Instituto C&A, braço social da gigante do varejo, defende o diálogo. "Esse não é o problema de uma organização, uma empresa, um governo. A solução precisa ser feita através da coletividade, dos vários atores." 

A ação conjunta também foi defendida pelo diretor da OIT. "Nos últimos 15 anos tem sido feito um esforço de unir forças dos vários atores, os de investigação, do MPT, da pastoral da terra, do setor privado, dos sindicatos e da sociedade." Houve avanços legislativos, como a nova lei da imigração, segundo a procuradora do MPT. "A lei não vê mais os imigrantes como uma ameaça ao país. Foi uma conquista. Eles precisam saber que não serão deportados caso denunciem abusos que estão sofrendo." 
Essa capacitação e orientação para que esses imigrantes conheçam seus direitos no Brasil é oferecida pelo Cami. "Com as rodas de conversa, as mulheres estão se empoderando, formalizando suas oficinas, cobrando melhores condições de trabalho e denunciando abusos", afirmou De Spyer. A boliviana Lídia Romero também vê o futuro com esperança. "Hoje posso trabalhar menos horas, tenho tempo para os meus filhos, posso ir ao parque, ao cinema, coisa que antes eu não podia", disse. "Quero que meus filhos sejam trabalhadores têxteis e possam ter a própria marca deles."

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br

Cai taxa de desemprego no trimestre encerrado em agosto

É o que aponta PNAD Contínua divulgada nesta sexta-feira (29/9) pelo IBGE


A taxa de desocupação para o País foi de 12,6% no trimestre junho-julho-agosto 2017, registrando redução de 0,7 ponto percentual em relação ao trimestre março-abril-maio (13,3%). Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, quando a taxa foi estimada em 11,8%, o quadro foi de elevação (0,8 ponto percentual). È o que aponta PNAD Contínua divulgada nesta sexta-feira (29/9) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). 

A população desocupada foi estimada em 13,1 milhões, o que representou queda de 4,8% (menos 658 mil pessoas), em relação ao trimestre anterior. No confronto com igual trimestre do ano anterior, quando havia 12 milhões de pessoas desocupadas, esta estimativa subiu 9,1% (mais 1,1 milhão de pessoas).

A população ocupada (91,1 milhões) apresentou aumento de 1,5% em relação ao trimestre anterior (mais 1,4 milhão pessoas). Em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, quando havia no Brasil 90,1 milhões de pessoas ocupadas, este indicador apresentou variação positiva de 1% (mais 1 milhão de pessoas).

O número de empregados com carteira de trabalho assinada (33,4 milhões) ficou estável frente ao trimestre anterior (março a maio de 2017). No confronto com o trimestre de junho-julho-agosto 2016, houve queda de -2,2% (menos 765 mil). O número de empregados sem carteira de trabalho assinada (10,8 milhões de pessoas) cresceu 2,7% em relação ao trimestre anterior, representando um incremento de 286 mil pessoas. Em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, houve aumento de 5,4% (mais 552 mil pessoas).

A categoria dos trabalhadores por conta própria (22,8 milhões de pessoas) cresceu 2,1% em relação ao trimestre março-abril-maio (mais 472 mil pessoas). Em relação ao mesmo período do ano anterior, também houve variação positiva: 2,8% representando um aumento de 612 mil pessoas.

O rendimento médio real habitual (R$ 2.105) no trimestre junho-julho-agosto 2017 manteve estabilidade frente ao trimestre anterior (R$ 2.116) e, também, em relação ao mesmo trimestre de 2016 (R$ 2.066). A massa de rendimento real habitual (R$ 186,7 bilhões) no trimestre encerrado em agosto de 2017 também ficou estável nas duas comparações.

Fonte: http://www.sm.com.br

Vendas dos supermercados têm alta real de 0,25% em agosto, diz Abras

Lalo de Almeida/Folhapress

Os supermercados registraram uma alta real de 0,25% nas vendas em agosto, na comparação com igual período do ano passado. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (29) pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras). No acumulado dos oito primeiros meses do ano, o aumento real foi de 0,67%. No cálculo, é descontada a inflação medida pelo IPCA/IBGE.

Em valores nominais, o aumento de vendas em agosto foi de 2,74%, em relação a igual mês de 2016. No acumulado do ano, pelo mesmo critério, houve avanço de 4,54%. O presidente da Abras, João Sanzovo Neto, afirmou, em comunicado, que o aumento do consumo das famílias deve ocorrer de forma gradativa.

"O país ainda vive os reflexos da crise, mas acreditamos que a aproximação do final do ano, com importantes datas para o setor como Black Friday, Natal e Réveillon, poderá impulsionar as vendas", afirmou.

Fonte: http://www.valor.com.br

Validade de produtos em promoção deverá estar visível para consumidor


É o que prevê o projeto aprovado quarta-feira (27/9) pela Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados

Os supermercados e lojas que fizerem promoção para esgotar estoques terão de avisar ao cliente o prazo de validade dos produtos. De autoria da deputada Mariana Carvalho (PSDB-RO),  o projeto de lei 1.885/2015 foi aprovado na manhã desta quarta-feira (27) pela Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados.

De acordo com a autora, os supermercados e estabelecimentos similares ficam obrigados a divulgar, através de cartazes afixados em locais de destaque, a data de vencimento da validade dos produtos anunciados como promoções-relâmpago ou especiais.

"Muitas vezes, essas promoções acabam atraindo clientes, que não se atentam à data de validade e perdem o produto anunciado. As datas de vencimento deverão possuir a mesma visibilidade dos preços anunciados. A aprovação desse projeto é um sinal de respeito desta Casa com o consumidor", explicou Mariana Carvalho, autora da proposta

Fonte: http://www.sm.com.br/

domingo, 1 de outubro de 2017

“Vamos recuperar o tempo perdido e botar o Carrefour em outra posição", afirma Abilio Diniz

Em entrevista ao Valor, o executivo comenta sobre a saída de Charles Desmartis, a chegada de Noël Prioux, a gestão de Plassat e de Bompard


O grupo francês Carrefour está no centro de um processo de mudança e para o seu terceiro maior acionista, o empresário brasileiro Abilio Diniz, esse movimento deve colocar a varejista num novo rumo, e fazê-la dar um salto no negócio digital. "O Carrefour sempre teve pessoas decididas a permanecer na zona de conforto. Hoje, a determinação do Bompard [Alexandre Bompard, CEO mundial desde julho] é que não se vive na zona de conforto. Nós vamos recuperar o tempo perdido e botar o Carrefour em outra posição", afirmou o empresário em entrevista ao Valor.

"Eu disse no conselho [de administração] que nós temos que saber o tamanho da nossa ambição. Se nossa ambição é um pouco mais do mesmo ou melhor", diz Abilio, que completa 81 anos em dezembro. A Península Participações, empresa da família Diniz, tem 12% das ações do grupo Carrefour no país e 8% no mundo.
Os planos passam por recuperar o ritmo de vendas, especialmente na França, e acelerar a transformação no braço on-line para que a varejista se torne realmente uma operação multicanal.

Essa busca por mudanças exigiu a troca de comando mundial, com a saída, em julho, de Georges Plassat, e a entrada de Alexandre Bompard. Abilio diz que as dificuldades que a empresa passa têm relação direta com o ex-CEO, que resistia a certas transformações. "Para mudar a pessoa precisa querer e Plassat não queria", diz. "Ele virou quase um mito no Carrefour. Ele pegou a empresa com a ação a €13 e levou a €26 e agora voltou a €17. Esse grande salto fez dele uma estrela, precisava ter cuidado para mexer".

Procurado ontem pelo Valor, Georges Plassat, que comandou o Carrefour por cinco anos, não quis comentar as críticas à sua gestão. "Não tenho nada a dizer", afirmou, em tom irritado, quando informado do teor da entrevista. Seu mandato só terminaria em maio de 2018. Sua saída foi decidida em meio a fortes tensões no conselho. A principal razão era a desvalorização das ações desde 2015. Quando ele deixou o grupo, elas estavam cotadas a quase € 22, após terem atingido € 33 há dois anos.

No Brasil, os ajustes que começam a ser implementados pelo CEO mundial - a reorganização de cargos de diretoria - levou à troca do presidente da operação local. Em outubro, sai Charles Desmartis e entra Noël Prioux, ambos franceses. Abilio defende Prioux de críticas do mercado - desde o anúncio da troca, a ação no país caiu 7%. A seguir, trechos da entrevista:

Como o sr vê as mudanças no comando do Carrefour no Brasil e no mundo?
Abilio Diniz: Primeiramente, vou colocar um contexto geral. O que acontece no Brasil não é um fato isolado daquilo que acontece no Carrefour global. O Carrefour está passando por uma transformação, vinha num período ruim, difícil, em que fazia bobagens, até chegar o Plassat em 2012. Até o Lars [Olofsson, CEO de 2009 a 2012] era descendo a ladeira com velocidade. Então, em 2012, entrou Georges e num primeiro momento, recuperou um pouco da empresa, da satisfação e do orgulho de ser Carrefour. Isso foi no começo. Na minha visão, ele usou uma forma errada de buscar a recuperação. Vendeu ativos para investir em preço. Não adianta só investir em preço. Tem que ter muito mais solidez em outras coisas. Na França, fez pouco e enfiou dinheiro no ralo.

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Fonte: http://www.sm.com.br

Dona de Azaleia e Olympikus tenta reerguer operações

Resultado de imagem para reerguer operações

De uma empresa com faturamento de R$ 3,5 bilhões (em valores atualizados pela inflação), 29 fábricas e 45 mil empregados para uma de R$ 1,3 bilhão de receita total, três fábricas e 15 mil funcionários. Essa foi a transformação pela qual passou, entre 2010 e 2016, a Vulcabrás, companhia que já ostentou o título de maior fabricante de calçados do País e hoje tem apenas 4% do mercado.

Após um processo pesado de reestruturação, que durou quase três anos, a companhia voltou a dar sinais positivos para o mercado. Bem menor, após cinco anos de prejuízo, a empresa conseguiu registrar lucro em 2016, e, em 2017, deverá repetir o desempenho. No primeiro semestre, a companhia, dona de marcas como Azaleia e Olympikus, teve lucro de R$ 51,6 milhões, ante R$ 200 mil no mesmo período de 2016.

A transformação da Vulcabrás poderá alcançar seu auge no mês que vem, com a “reestreia” da companhia na Bolsa. Hoje, com apenas uma parcela muito pequena (1,79%) de suas ações negociadas na B3, os papéis praticamente não têm liquidez. Por isso, a emissão das ações, agendada para outubro, é vista como uma reestreia. A Vulcabrás também trabalha para, até lá, migrar para o Novo Mercado, segmento de mais alta governança corporativa da Bolsa, em uma estratégia para atrair investidores.

Com a operação na B3 (a Bolsa paulista), os acionistas da Vulcabrás pretendem levantar recursos para pagar dívidas e investir no parque fabril, além de recuperar parte do capital que injetaram na companhia no período de crise – segundo fontes próximas a operação, o fundador Pedro Grendene colocou cerca de R$ 450 milhões nos últimos anos. Procurada, a Vulcabrás não comentou as informações, argumentando que está em período de silêncio.

Recursos

Os aportes da família Grendene foram uma das poucas opções de recursos disponíveis durante o período de reestruturação da empresa. Entre 2011 e 2015, diante do elevado grau de endividamento e do baixo fluxo de caixa, o crédito bancário encareceu para a companhia. Houve ainda a tentativa fracassada de venda de uma participação para o fundo Pátria Investimentos até que a Vulcabrás decidisse contratar a consultoria Galeazzi, especializada em reestruturação de empresas e famosa por realizar cortes drásticos de custos.

Com a Galeazzi diante das operações, começaram as demissões e o fechamento de fábricas. Em dezembro de 2012, às vésperas do Natal, deu-se um dos momentos mais difíceis da história da empresa: 12 unidades fabris na Bahia tiveram suas atividades encerradas e cerca de 3 mil funcionários dispensados. As fábricas eram todas pequenas, produziam modelos de calçados não lucrativos e tinham baixo nível de produtividade. A opção foi manter as unidades grandes, concentrando as linhas de produção.

O corte radical de custos na empresa, no entanto, não foi a única justificativa para a melhora no desempenho da empresa. A crise econômica, que obrigou boa parte dos consumidores brasileiros a migrar nas suas compras para produtos mais baratos e nacionais, acabou ajudando na recuperação da companhia.

Apenas no ano passado, a importação de calçados em todo o País recuou 28,5%. No acumulado de 2017 até agosto, a retração é de 0,3%. Os tênis Olympikus, principal produto da Vulcabrás, têm preços inferiores aos importados, apesar do apelo de design e tecnologia, o que acabou favorecendo a marca.

A importação de calçados a preços competitivos, registradas no período anterior à recessão brasileira, havia sido justamente um dos fatores que haviam levado a Vulcabrás à crise.

Posicionamento

O especialista em varejo Alberto Serrentino, fundador da consultoria Varese Retail, conta que todas as nacionais, como Rainha e Topper, sofreram com a concorrência com as estrangeiras. “As brasileiras não têm condições de competir direto com o importado no segmento esportivo. Elas precisam investir em um nicho ou criar a percepção de valor ao cliente, mostrar que seus produtos têm uma qualidade ou um design superior considerando o posicionamento de preço”, diz.

Para Edson D’Aguano, também especialista em varejo, a empresa melhorou o design do Olympikus. Os sapatos Azaleia, porém, ainda não se destacam tanto entre os concorrentes, avalia.

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein, diz que o setor ainda se encontra em uma fase difícil e que apenas as marcas mais consolidadas, que investem em design, tem conseguindo sobreviver. “A Vulcabrás é uma das que têm tido um crescimento interessante”, acrescenta. 

Fonte: O Estado de S. Paulo.