sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

O Impacto da Cadeia de Abastecimento na Gestão de Estoques e na Rentabilidade dos Negócios



A cadeia de abastecimento exerce papel central na competitividade, rentabilidade e sustentabilidade de todos os negócios modernos. Em um ambiente cada vez mais impactado pela volatilidade da demanda, pressão constante por melhores margens, exigências regulatórias e transformação digital, a forma como fornecedores, fabricantes, distribuidores e varejistas se conectam impacta diretamente a gestão de estoques, o capital de giro e os resultados financeiros.

 

Este artigo analisa, com base em publicações acadêmicas e relatórios corporativos amplamente reconhecidos, como a cadeia de abastecimento influencia a eficiência dos estoques e de forma direta a rentabilidade, abordando riscos operacionais, conformidade, segurança da informação, ética e o papel das tecnologias emergentes.

 

Cadeia de Abastecimento como Pilar Estratégico

 

A cadeia de abastecimento compreende todos os processos necessários para planejar, adquirir, produzir, armazenar e distribuir produtos até o consumidor final. Modelos de referência como o SCOR – Supply Chain Operations Reference, demonstram que desempenho em custos, nível de serviço e confiabilidade depende diretamente do grau de integração e governança entre os elos da cadeia que precisam ter alto nível de comunicação ente si.

 

Estudos da McKinsey & Company e do MIT Sloan Management Review indicam que cadeias de abastecimento maduras deixaram de ser apenas estruturas operacionais para se tornarem ativos estratégicos, capazes de sustentar crescimento, resiliência e vantagem competitiva.

 

Na prática, essa maturidade só se materializa quando a cadeia deixa de ser vista como “área de suporte” e passa a participar das decisões estratégicas do negócio, influenciando sortimento, nível de serviço e alocação de capital.

 

 

Impactos Diretos na Gestão de Estoques

 

A gestão de estoques é um dos pontos mais sensíveis da cadeia de abastecimento. Falhas de sincronização entre demanda, fornecimento e produção resultam em:

 

·       Rupturas frequentes

·       Excesso de estoque e capital imobilizado

·       Obsolescência e perdas

·       Redução do nível de serviço ao cliente

 

Organizações com baixa visibilidade da cadeia operam com dados imprecisos, comprometendo previsões e decisões de reposição. Por outro lado, cadeias integradas e orientadas por dados permitem estoques mais enxutos, maior giro e melhor previsibilidade.

 

A experiência operacional mostra que estoque raramente é o problema em si, mas sim o sintoma de decisões desconectadas ao longo da cadeia. Quando vendas, compras, logística e lojas não operam com a mesma informação e objetivo, o estoque “engorda” para compensar a falta de alinhamento.

Riscos na Cadeia de Abastecimento

 

A crescente complexidade das cadeias de abastecimento amplia a exposição a riscos que afetam diretamente estoques e rentabilidade:

 

1.       Riscos Operacionais e de Demanda

2.       Dependência excessiva de fornecedores

3.       Atrasos logísticos

4.       Oscilações abruptas de consumo

5.       Sazonalidade mal planejada

6.       Riscos Sistêmicos

7.       Pandemias

8.       Conflitos geopolíticos

9.       Eventos climáticos extremos

10.   Interrupções globais de transporte

 

Publicações da ScienceDirect e da MDPI destacam que empresas com cadeias pouco resilientes sofrem impactos financeiros desproporcionais em momentos de crise.

 

Crises recentes reforçaram que eficiência extrema, sem resiliência, aumenta o risco. Cadeias desenhadas apenas para custo tendem a colapsar mais rápido quando o cenário muda de forma abrupta.

 

Conformidade, Governança e Ética

 

A cadeia de abastecimento também representa um vetor relevante quanto a riscos regulatórios e reputacionais. Conformidade com normas fiscais, sanitárias, ambientais e trabalhistas é ponto essencial para a continuidade de qualquer negócio, além disso, é crescente a exigência por práticas éticas e critérios ESG (Environmental, Social and Governance) que envolve pontos cada vez mais em discussão, tais como:

 

ü  Transparência na origem dos produtos

ü  Sustentabilidade ambiental

ü  Responsabilidade social

ü  Conduta ética de fornecedores

 

Falhas nesses aspectos podem gerar sanções legais, perda de mercado e danos severos à reputação corporativa, requerendo assim ações e monitoramento contínuos.

 

A governança da cadeia não se limita a contratos e auditorias. Ela exige liderança ativa, comunicação clara e a coragem de questionar práticas que funcionam no curto prazo, mas colocam o negócio em risco no médio e longo prazo.

 

Segurança da Informação na Cadeia de Abastecimento

 

Com a digitalização, a cadeia de abastecimento tornou-se altamente dependente de sistemas integrados, ERPs, WMS, plataformas colaborativas e troca de dados em tempo real e que requerem profissionais atualizados. Essas mudanças geram a necessidade de uma atuação baseadas nos seguintes riscos:

 

Ø  Vazamento de dados

Ø  Ataques cibernéticos

Ø  Manipulação de informações de estoque

Ø  Interrupções operacionais por falhas sistêmicas

 

Conforme relatórios do Gartner e da Deloitte podemos evidencias que a segurança da informação deixou de ser apenas um tema de TI para se tornar um risco estratégico da cadeia de abastecimento.

 

 

Tecnologia e Inteligência Artificial como Vetores de Eficiência

 

A transformação digital tem elevado significativamente o desempenho das cadeias de abastecimento que passam a utilizar cada vez mais tecnologias como:

 

1.       Analytics avançados

2.       Inteligência Artificial

3.       IoT e RFID

4.       Automação logística

 

1 - Analytics Avançados – vai além de relatórios descritivos, pois passa a utilizar modelos estatísticos, preditivos e prescritivos para identificar padrões, prever cenários e recomendar ações, atuando das seguintes formas:

 

ü  Previsão de demanda mais precisa

ü  Identificação de causas de ruptura ou excesso

ü  Simulação de cenários (what-if)

ü  Otimização de estoques e níveis de serviço

 

Exemplos práticos por tipo de empresa

 

Supermercados

Analisa histórico de vendas, clima, promoções e sazonalidade

Prevê picos de demanda (ex.: feriados)

Ajusta reposição automática para evitar ruptura

 

Indústria

Analisa consumo de matéria-prima e lead time de fornecedores

Ajusta produção e compras conforme variações do mercado

Reduz paradas de linha por falta de insumos

 

Transportadores

Analisa volumes, rotas e tempo de entrega

Otimiza carga e frota

Reduz custo logístico e atrasos

 

Impacto direto em menos estoque parado, menos ruptura, decisões baseadas em dados e não em “achismo”.

 

2 - Inteligência Artificial (IA) - utiliza machine learning e modelos cognitivos para aprender com dados, identificar padrões complexos e tomar decisões automáticas ou semi-automáticas, que atuam em:

 

ü  Ajuste dinâmico de previsões

ü  Detecção de anomalias e fraudes

ü  Identificação de riscos antes que se materializem

ü  Recomendação automática de pedidos, rotas e estoques

 

Exemplos práticos por tipo de empresa

 

Varejo Omnichannel

IA identifica divergências entre estoque físico e sistêmico

Detecta risco de ruptura em tempo real

Reprioriza pedidos entre CD, loja e e-commerce

 

Farmácias

IA cruza validade, giro e demanda

Reduz descarte por vencimento

Garante compliance regulatório

 

Indústria

IA prevê falha de fornecedores

Recomenda alternativas de abastecimento

Reduz risco de parada produtiva

 

Gerando assim impacto direto na acurácia, menos perdas, maior resiliência e decisões quase em tempo real.

 

3 - IoT e RFID - (IoT - Internet das Coisas) conecta sensores físicos a sistemas digitais enquanto que o RFID (Radio Frequency Identification) permite identificação automática de produtos sem contato visual direto, ambos podem ajudar a cadeia de abastecimento de formas complementares:

 

ü  Rastreamento em tempo real

ü  Contagem automática de estoque

ü  Monitoramento de temperatura, umidade e localização

ü  Redução de erro humano

 

Exemplos práticos por tipo de empresa

 

Alimentos e Bebidas

Sensores IoT monitoram temperatura em CDs e transporte

Alertas automáticos evitam perdas por quebra de cadeia fria

 

Vestuário

RFID permite inventário em minutos

Alta acurácia de estoque em loja

Melhor reposição e menos ruptura

 

Logística / Operadores 3PL

Rastreamento de pallets e cargas

Redução de extravios

Visibilidade total da cadeia

 

 

3 - Automação Logística - envolve o uso de sistemas, equipamentos e softwares para reduzir atividades manuais e aumentar eficiência, entre eles:

 

·       WMS avançado

·       Sorters

·       AGVs (robôs autônomos)

·       Picking automatizado

·       Integração ERP + WMS + TMS

 

Como atua na cadeia de abastecimento

 

ü  Padroniza processos

ü  Reduz erros operacionais

ü  Aumenta velocidade e escala

ü  Melhora rastreabilidade

 

Exemplos práticos por tipo de empresa

 

E-commerce

Picking automatizado reduz erro de separação

Aumenta capacidade de pedidos/dia

Reduz devoluções

 

Indústria

Movimentação automatizada entre produção e estoque

Menos avarias

Menor dependência de mão de obra intensiva

 

Centros de Distribuição

Sorters automatizam separação por rota

Ganho de produtividade e SLA

 

 

7. Impacto na Rentabilidade dos Negócios

 

Uma cadeia de abastecimento eficiente tem como impacto no negócio pontos como:

 

ü  Reduz custos logísticos

ü  Minimiza capital de giro imobilizado

ü  Aumenta a disponibilidade de produtos

ü  Protege margens operacionais

 

O IHL Group destaca que pequenas melhorias na acurácia de estoques e na sincronização da cadeia podem representar ganhos expressivos de receita, muitas vezes superiores a iniciativas puramente comerciais.

 

Em muitos casos, vender mais não depende de novas campanhas, mas de perder menos: menos ruptura, menos quebra, menos capital parado e menos decisões reativas.

Conclusão

A cadeia de abastecimento consolidou-se como um ativo estratégico de geração de valor. A eficiência da gestão de estoques, a redução das perdas e a proteção da rentabilidade dependem de uma atuação integrada, colaborativa e orientada por dados entre todas as áreas da cadeia, o contrário tende a gerar baixa acurácia, capital imobilizado, rupturas, perdas invisíveis e riscos regulatórios.

Por outro lado, organizações com governança transversal, informação em tempo real e uso estratégico da tecnologia transformam estoques em diferencial competitivo, antecipam riscos, equilibram custo e nível de serviço e sustentam resultados mesmo em cenários voláteis.

Este artigo reforça que integrar a cadeia de abastecimento as demais áreas é uma decisão de liderança, não apenas técnica. Em um ambiente cada vez mais complexo, vence quem perde menos, decide melhor e opera de forma inteligente e integrada.

 

 

Fontes e Referências

 - McKinsey & Company – Supply Chain Management Insights

https://www.mckinsey.com  - MIT Sloan Management Review – Operations & AI

https://sloanreview.mit.edu  - Gartner – Supply Chain & Inventory Management

https://www.gartner.com   - IHL Group – Inventory Distortion Report

https://www.ihlservices.com  - Deloitte – Supply Chain & Working Capital

https://www.deloitte.com  - ScienceDirect – Supply Chain Risk & Resilience

https://www.sciencedirect.com - Sustainability (MDPI) 

https://www.mdpi.com - Digital Supply Chain


 

Autores:

Executivo em Gestão de Riscos, Prevenção de Perdas, Auditoria, Gestão de Projetos | Excelência Operacional, Redução de Custos e Lucratividade


Rui Cunha

Diretor Executivo | CSCO | CAO | Retail | Supply Chain | Logística | Comercial | COO


sexta-feira, 27 de setembro de 2024

Setor de varejo e consumo lança manifesto alertando contra perigo das 'bets'

 

Quinze entidades empresariais alertam para o fato de que gastos com apostas atrai recursos da população, especialmente entre os mais pobres



Quinze entidades empresariais que representam setores de varejo e consumo divulgaram nesta quinta-feira um manifesto alertando para riscos associados ao crescimento das plataformas eletrônicas de apostas, conhecidas como bets”. O manifesto foi lido no encerramento do Latam Retail Show, feira de negócios e congresso do setor, que ocorreu esta semana, em São Paulo.

O documento, divulgado pelo Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), uma das entidades signatárias, começa alertando para o fato de que o crescimento das “bets” atrai “recursos da população dos mais diversos segmentos e faixas etárias".


Master Curso Preparatório para Fiscais, Agentes e Analistas de Prevenção de Perdas

 04 a 08 de Novembro 

ONLINE e AO VIVO 
Master Curso Preparatório para Fiscais, Agentes e Analistas de Prevenção de Perdas


  • Data:04 a 08 de Novembro
  • Horário:a partir das 18:30h
  • Carga Horária:Curso Completo 20 Horas
  • Local:Zoom
  • Endereço:ON LINE
  • Investimento:R$ 600,00 (Pagamento no cartão em até 6 vezes) - 10% de desconto associados ABRAPPE e AMAS
  • Incluso:Certificado Participação do grupo de Whatsapp
  • Informações sobre o Curso:Email: daniela@prevenirperdas.com.br Vagas Limitadas Tel.: 11 99858-4181 (WhatsApp)

sexta-feira, 30 de agosto de 2024

Segredos da redução de Perdas em Farmácias e Drogarias: Uma Abordagem Inovadora e Eficaz

 


Sim, o título deste artigo é provocativo, e assim como não há receita clara para o sucesso, o que abordarei aqui serão pontos relevantes e que, se bem aplicados e mantidos, deverão gerar excelentes resultados nas perdas de seu negócio, colaborando assim para melhora na experiência de compra do cliente e para o lucro líquido da companhia.

Antes de iniciar as orientações gostaria de analisar os resultados atuais, conforme apresentação realizada na Abrappe, informações que foram geradas mediante a análise de indicadores de varejistas em todo o Brasil. Nessa pesquisa a perda de drogarias e farmácias, atingiu em 2023 (ano base) 0,90% considerando o total de perdas a custo pelo total de faturamento do mesmo período, uma redução de 20,35% e 4,65% maior que o menor índice medido que foi em 2015. 

Já o nível de acurácia qualitativa de estoques que apresenta quão correto é nossos estoques físicos frente a posição de sistema alcançou 88,33% com queda de quase 5%, frente a 92,97% do ano anterior, o que significa que a cada 100 produtos em sistema 12 deles não possuem a mesma quantidade no estoque físico, impactando assim nas compras, distribuição e no atendimento ao cliente, pois podemos ter situações de excesso ou também de ausência destes itens.

Outro ponto de atenção foi o índice de ruptura que em 2023 atingiu 2,37% na Operacional e 4,16% na Comercial, totalizando 7,83%, uma melhora de 30% frente a 2022.

 

Tendo estes resultados como ponto de partida, percebemos que há oportunidades, e assim como qualquer negócio, é somente através de uma gestão eficiente, que nossas farmácias e drogarias poderão garantir a saúde financeira e a satisfação dos clientes, sendo este, um setor onde a rotatividade e a sensibilidade dos produtos são críticas, o essencial é implementar estratégias robustas para minimizar perdas e otimizar os resultados.

A seguir, apresentarei uma abordagem que talvez seja inovadora (total/parcial) e que combina boas práticas aplicadas hoje pelo mercado, com Análises Preditivas e Prescritivas, Business Intelligence (BI), Inteligência Artificial (IA) e outras soluções, para enfrentar os desafios associados a medicamentos éticos, controlados, termolábeis, genéricos, similares e também não medicamentos.

 

  • Análise Preditiva e Prescritiva: Antecipando e Agindo
  • Business Intelligence (BI): Transformando Dados em Decisões
  • Inteligência Artificial (IA): Automação e Otimização
  • Outras Soluções e Tecnologias Emergentes
  • Fazer o básico é sempre um passo para o resultado

1. Análise Preditiva e Prescritiva: Antecipando e Agindo

A análise preditiva usa dados históricos e técnicas estatísticas para prever tendências e comportamentos. Em farmácias e drogarias, isso pode significar a previsão de demanda para medicamentos específicos com base em padrões sazonais, históricos de vendas e fatores externos, como surtos de doenças ou mesmo variações na disponibilidade de fornecedores. Essa capacidade de antecipar necessidades pode permitir possíveis ajustes no estoque e na oferta de produtos, evitando assim, possíveis situações de escassez ou um excesso (lembrando que na escassez perdemos venda e até o cliente e no excesso produtos podem perder sua validade ou possível impacto na margem pela prática de descontos nos itens próximos do vencimento).

 

Ainda como continuidade de uma estratégia, podemos utilizar a análise prescritiva que vai além, pois ela passa a oferecer recomendações específicas sobre como agir para atingir objetivos desejados. Por meio de modelos preditivos, essa abordagem pode sugerir ações concretas para otimização dos estoques, como ajustar pedidos com base em previsões de demanda e condições climáticas, dados demográficos, características dos medicamentos e não medicamentos, custos, preços, informações de fornecedores (como a disponibilidade já mencionada), possíveis regulamentações e até fatores econômicos, ou implementar estratégias para evitar o vencimento de medicamentos controlados.

 

2. Business Intelligence (BI): Transformando Dados em Decisões

Já muito utilizado por várias empresas, mas não por todas as áreas, o Business Intelligence é uma ferramenta poderosa que transforma dados brutos em informações consolidadas e por vezes mais claras quanto a leitura do usuário. Com sistemas de BI, farmácias e drogarias podem consolidar dados de vendas, inventário (perda não identificada), informações de quebra operacional (perda identificada), tendências de mercado e outras, em dashboards intuitivos e que direcionam as equipes a realizar ações onde realmente há oportunidade. Esses dashboards permitem monitorar o desempenho em tempo real, identificar padrões de compra, gerar relatórios detalhados sobre a rotatividade de produtos, análise de produtos de curva A, B e C, etc.

 

Através do BI, as farmácias podem identificar quais medicamentos estão vendendo bem e quais estão em risco de vencimento, facilitando a tomada de decisões informadas sobre promoções e ajustes de estoque, e dependendo da estratégia utilizada, isso pode ser feito desde os Centros de Distribuição até as lojas, permitindo que as ações sejam mais rápidas. Além disso, é possível analisar variados cenários, como por exemplo a margem de lucro de diferentes produtos e ajustar preços e estratégias de compra de forma mais eficiente, avaliar trocas e devoluções recorrentes, etc.

 

3. Inteligência Artificial (IA): Automação e Otimização

Enquanto as análises preditivas e prescritivas trabalham baseados em fatos históricos, a IA pode analisar informações em real time, reagindo de forma instantânea e aprendendo de forma continua, podendo assim revolucionar a gestão de farmácias e drogarias ao automatizar processos e fornecer insights profundos. Algoritmos de IA podem analisar grandes volumes de dados para identificar padrões complexos que são difíceis de perceber manualmente. Isso pode incluir a previsão de demanda com maior precisão, a detecção de padrões de fraude e o ajuste automático de níveis de estoque.

Além disso, a IA alinhada a aplicação de sensores de IoT (Internet das coisas), pode ser utilizada para otimizar a gestão de medicamentos termolábeis, monitorando continuamente as condições de armazenamento e ajustando as condições para garantir a integridade do produto. Em relação aos medicamentos controlados, sistemas baseados em IA podem ajudar a rastrear e prevenir desvios e perdas, garantindo conformidade com regulamentos e evitando problemas legais.

É importante ressaltar que mesmo havendo um grande avanço na qualidade das IAs disponíveis e em sua popularização assustadora, ainda há limitações pontuais que devem ser avaliadas de forma individual, pois poderão variar de empresa para empresa, mesmo dentro do mesmo setor de atuação:

1. Disponibilidade e Qualidade dos Dados

2. Conformidade Regulatória Complexa

3. Integração com Sistemas Legados

4. Limitações de Infraestrutura

5. Restrições Orçamentárias

6. Fatores Culturais e Comportamentais

7. Necessidade de Capacitação e Especialização

 

 

4. Outras Soluções e Tecnologias Emergentes

 Além das soluções mencionadas, várias outras tecnologias podem contribuir para a redução de perdas:

·       Sistemas de Gestão de Inventário: Softwares avançados que integram informações de vendas e estoque, oferecendo previsões e recomendações para melhorar o nível de acurácia e reduzir o de ruptura com ações pontuais, como por exemplo expor itens que estão somente no estoque da loja (ruptura operacional) e reduzir o excesso de estoque em especial de itens que estão com excesso de dias parados, mas que possuem boas vendas em outras unidades ou que poderiam se melhor trabalhado dentro da loja.

·       Tecnologia de Rastreamento e Monitoramento: Dispositivos e sensores (aplicação IoT) para monitorar as condições de armazenamento e rastrear a movimentação de produtos, garantindo assim, que os medicamentos sejam mantidos em condições ideais e reduzindo o risco de perdas.

·       Ferramentas de auditoria: soluções que através de um celular permitam validar itens como por exemplo se o preço exposto é o mesmo do sistema e com isso reduzir descontentamento de clientes na frente do caixa ou direcionando os esforços das equipes onde há as maiores oportunidades de resultado, mas permitindo ao gestor ter uma avaliação geral, por regiões, lojas, departamentos, fornecedores ou mesmo produtos. 

·       Plataformas de E-commerce e Omni-channel: Facilitar a compra online e o acesso a uma gama mais ampla de produtos pode ajudar a otimizar o estoque e reduzir perdas devido a excesso de produtos não vendidos. Vale lembrar que quanto maior as ações em omnichannel, maior a necessidade de um alto nível de acurácia de estoques.

 

5. Fazer o básico é sempre um passo para o resultado

 Precisamos nos atentar que há muito a ser feito para redução das perdas relacionadas a vencimento, avarias, furtos, erros de inventário, erros administrativos e fraudes, abaixo relaciono pontos básicos que por vezes existem, mas não estão padronizados, ou não há monitoramento, enfim, são itens a serem revisados:

 

 1. Redução de Perdas por Vencimento:

   - Controle de FEFO: Realize a rotação de estoques utilizando o método FEFO (first expired/first out) ou conhecido como PVPS (primeiro que vence primeiro que sai), para garantir que produtos com datas de vencimento mais próximas sejam vendidos primeiro, isso deve ser revisado na área de vendas, no estoque, nos centros de distribuição e entre eles.

   - Monitoramento de Datas: Utilize sistemas automatizados para rastrear as datas de vencimento dos medicamentos e gerar alertas antecipados para itens próximos ao vencimento, quanto mais informação a loja possuir, mais eficiente são as ações para reduzir tais perdas.

   - Revisões Regulares: Faça revisões periódicas dos estoques para remover produtos vencidos ou quase vencidos e ajustar as compras com base nas demandas reais, bem como realizar ações pontuais para reduzir impacto da perda.

 

 2. Redução de Perdas por Avaria:

   - Condições de Armazenamento Adequadas: Mantenha os produtos em condições apropriadas de temperatura e umidade, e utilize embalagens adequadas para minimizar danos.

   - Treinamento de Funcionários: Treine os funcionários sobre o manuseio correto dos produtos para evitar quebras e danos durante o armazenamento e o transporte, é importante haver conscientização (explique sempre o porquê das coisas) e não somente informar o que deve ser feito.

   - Inspeções Regulares: Realize inspeções regulares para identificar e corrigir qualquer problema nas condições de armazenamento e manipulação.

 

 3. Redução de Furtos:

   - Segurança Física: Instale câmeras de segurança e sistemas de alarmes para monitorar as áreas de armazenamento e as áreas de atendimento ao cliente.

   - Controle de Acesso: Implemente sistemas de controle de acesso para áreas restritas e monitore o acesso ao estoque.

   - Políticas de Segurança: Estabeleça e faça cumprir políticas rígidas de segurança e conduta para funcionários e clientes.

   - Suporte de Tecnologia: Busque por soluções que apoiem na identificação e especialmente inibição de furtos, tendo em mente a análise de viabilidade financeira da solução.

 

 4. Redução de Erros de Inventário:

   - Sistemas de Gestão de Inventário: Utilize sistemas de gestão de inventário para registrar e rastrear entradas e saídas de produtos, garantindo a precisão dos dados.

   - Contagens Regulares: Realize contagens físicas de estoque regularmente e compare com os registros do sistema para identificar e corrigir discrepâncias.

   - Treinamento e Procedimentos: Treine os funcionários nos procedimentos corretos de registro e controle de inventário para reduzir erros.

 

 5. Redução de Erros Administrativos:

   - Padronização de Processos: Estabeleça procedimentos operacionais a serem mantidos como padrão para todas as atividades administrativas, como processamento de pedidos e controle de pagamentos.

   - Automação de Processos: Utilize ferramentas de automação para minimizar a intervenção manual e reduzir a probabilidade de erros humanos.

   - Revisão e Auditoria: Realize revisões e auditorias periódicas das operações administrativas para identificar e corrigir possíveis erros e com o resultado foque apenas o que deve ser melhorado, isso gera conversas mais objetivas. Aqui é importante controlar o avanço das avaliações, atuar de forma pontual em situações recorrentes e dar apoio, pois é fundamental que a área esteja junto na solução de problemas e não apenas sirva para pontuar erros, sendo que o ideal é tratar tudo como oportunidade.

 

 6. Redução de Fraudes:

   - Controle e Monitoramento: Implemente sistemas de controle para monitorar transações e acessos a dados sensíveis, detectando atividades suspeitas.

   - Segurança de Dados: Proteja os dados financeiros e de clientes com criptografia e outras medidas de segurança cibernética.

   - Políticas e Treinamento: Estabeleça políticas claras contra fraudes e forneça treinamento contínuo para funcionários sobre como identificar e reportar atividades fraudulentas.

 

Vale destacar ainda que o gestor deve ponderar e direcionar suas equipes tendo como base a definição de prioridades, o ideal é uma atuação 80/20, onde o foco será sempre o maior resultado financeiro, trazendo assim a visibilidade necessária sobre as ações da área.

 

 

Conclusão

A adoção de Análises preditiva e prescritiva, Business Intelligence, Inteligência Artificial e outras soluções tecnológicas é crucial, mesmo que de forma parcial e gradativa, para gestão de estoques e redução de perdas em farmácias e drogarias. Essas ferramentas não apenas ajudam a prever e responder a mudanças no mercado, mas também proporcionam uma base sólida para uma gestão eficiente e estratégica. Implementar essas abordagens permitirá melhorar a precisão do estoque, otimizar a operação, e com isso, oferecer a melhor experiência de compra aos clientes, garantindo assim o sucesso e a sustentabilidade do negócio.

Contudo, implementar e manter ações básicas ajuda a criar uma base sólida para a gestão das lojas, minimizando perdas e melhorando a eficiência operacional.

Vale ainda ressaltar, que para a referida adoção destas soluções, os gestores requerem avaliar se o cenário atual permite tal aplicação, seja pelo uso de recursos ou mesmo pela estrutura atual e também, mas não menos importante, entender e validar se os resultados obtidos realmente geram o retorno necessário.


Por fim, a combinação de tecnologias adequadas, processos bem definidos e treinamento contínuo são fundamentais para enfrentar desafios e garantir a integridade e a segurança dos negócios e o ponto de equilíbrio passa por uma análise individual e que reque alto nível de maturidade dos gestores.